Tivesse eu a liberdade
“Tivesse eu a liberdade” é um lamento pela condição do ser humano que, em constante procura pela auto-atualização, encontra em cada etapa um diferente tipo de frustração. No caminho para a tão desejada transcendência, o sofrimento adquire contornos novos, potencialmente em crescendo… o qual poderá fazer a pessoa aperceber-se, resignadamente, do paradoxo da escolha: tudo seria mais simples se nunca tivesse tido a oportunidade de trilhar esse caminho.
Tivesse eu a liberdade de escolher
O caminho em que o destino me retém
De fazer a minha vontade valer
Sem constrições de nada ou ninguém
Não tivesse eu desde cedo seguido
O rumo que me foi decidido
Por quem sempre me quis bem
Sem considerar o parecer de quem
Diretamente nele envolvido
Poderia não o ter querido.
E não tivesse eu enveredado
Pelo labor que da vida é esperado
Mesmo na flor da idade
E que, adicto, consome vitalidade
E tempo que nele passado
É maior que o experienciado.
Pudesse eu libertar-me das correntes
E alcançaria o eu transcendente
Que deixaria o mundo contente
E com ele, toda a gente!
Em vez, fui erguendo camadas
Dissimuladas, entrançadas
P’ra me escudar da dureza do mundo…
E se as correntes são, por fim, rebentadas
O escudo já não protege de nada
E nada me protege do escudo.
Tivesse eu a liberdade de escolher
O destino que me assenta na tela
E escolheria ficar livre de ter
A hipótese de sonhar com ela.
(vídeo em breve)