Roda giratória
“Roda giratória” transporta-nos para um estado prolongado de ansiedade e stresse intensos e assoberbantes, promovido e alimentado por uma sociedade que favorece a produtividade mesmo às custas do bem-estar, da saúde e da felicidade das pessoas.
No meio da gaiola
A roda giratória
Do trabalho à escola
Não tenho moratória
Sou um roedor
Pequeno e doutrinado
O relógio é o meu senhor
E eu corro a nenhum lado
Dizem p’ra dormir
Desanuviar a alma
Mas não vou mentir
Isso não me acalma
Falta-me ar no peito
Mas corro inquieto
P’ra não ficar desfeito
Debaixo do teto
Tenho medo que algo mau aconteça
Suam as mãos, já me dói a cabeça
É possível que amanhã enlouqueça
Tenho medo que algo mau aconteça
Tenho medo que algo mau aconteça
No meio da gaiola
Estou sempre cansado
Do trabalho à escola
Que é mesmo ao lado
Esqueço-me de tudo
Para lá da roda
Onde eu corro mudo
E perco a vida toda
Tenho medo que algo mau aconteça
Suam as mãos, já me dói a cabeça
É possível que amanhã enlouqueça
Tenho medo que algo mau aconteça
Tenho medo que algo mau aconteça
Se ao menos eu pudesse escapar pela grade
Parar a roda que gira em frenesim
O ar então ao peito voltaria em liberdade
E o medo e a pressa e o teto sobre mim
Tenho medo que algo mau aconteça
Suam as mãos, já me dói a cabeça
É possível que amanhã enlouqueça
Tenho medo que algo mau aconteça
Tenho medo que algo mau aconteça
(vídeo em breve)